E ele: Esqueceste que te amo? Ou pareço apenas fingir? Não entendes que sofrerei muito mais longe do que perto? Amizade non grata em coração apaixonado.
E ela: Prefiro isto à dor de continuarmos mentindo. E o tempo trará a certeza de que já não há amor em nós.
E ele: Nós? Duvidas do meu amor pois já não pode retribui-lo, e de nada adianta o choro meu? Não comove-te? Deixe me aqui, pois não conseguiria perder-te.
E ela enxuga as lágrimas e faz as malas sem sorrir. O nó da garganta ocupa agora o estômago, causando sensação de ausência permanente de fome. Esvazia metade das gavetas, um quarto do armário e dois badaluques do criado mudo.
E ele percebe que desejava isto, mas repugna o fato de estar sozinho. Não consegue imaginá-la amando outro. O egoísmo em desespero causa um meio sorriso irônico notado de relance.
E ela abraça-o com as malas no batente e os gatos no transporte específico. Buzina do taxi, adeus.
E ele pensa em deus, no diabo e na morte. Prolonga o abraço, beija-lhe a testa, desaba no carpete, mas não consegue mais chorar.
E ela pensa em música, em novos beijos, em braços novos. Faz a saudade parecer pó diante do que está por vir.
E ele só pensa neles, nele, nela.
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